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ASRS-18: rastreio de TDAH em adultos com a escala da OMS

Entenda a Adult ADHD Self-Report Scale: a lógica da Parte A como triagem, o papel da Parte B, tempo de aplicação e limites do instrumento.

4 min de leituraEquipe Okdocto

O que é

A ASRS (Adult ADHD Self-Report Scale) é uma escala de autorrelato desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde em colaboração com o grupo de trabalho sobre TDAH adulto, liderado por Kessler e colaboradores (2005). Ela foi criada para uma lacuna evidente: os critérios diagnósticos do TDAH foram escritos pensando em crianças, e adultos frequentemente não se reconhecem em descrições como "corre ou sobe nas coisas excessivamente".

A ASRS-18 traduz os 18 critérios sintomáticos do DSM-IV para situações da vida adulta (trabalho, reuniões, contas, projetos), mantendo a estrutura de nove sintomas de desatenção e nove de hiperatividade e impulsividade. No Brasil, a escala foi traduzida e validada por Mattos e colaboradores (2006) e é amplamente usada em serviços de psiquiatria e neuropsicologia.

O que mede e como é composto

A escala pergunta com que frequência, nos últimos seis meses, a pessoa vivenciou cada um dos 18 comportamentos, em uma escala de cinco pontos: nunca, raramente, algumas vezes, frequentemente e muito frequentemente.

Ela se organiza em duas partes:

  • Parte A (6 itens): os seis itens que, na análise dos autores, melhor discriminaram adultos com e sem TDAH. Funciona como triagem rápida, também chamada de ASRS-6 ou ASRS Screener.
  • Parte B (12 itens): os demais sintomas, que completam o quadro clínico e ajudam a caracterizar o perfil (predominantemente desatento, hiperativo-impulsivo ou combinado).

Os 18 itens, juntos, cobrem desatenção (dificuldade de finalizar tarefas, organizar-se, lembrar compromissos, evitar erros por descuido, manter o foco) e hiperatividade-impulsividade (inquietação, dificuldade de esperar, falar demais, interromper os outros, sensação de motor ligado).

Aplicação

  • População: adultos a partir de 18 anos.
  • Tempo: cerca de 5 minutos para os 18 itens; 2 minutos para a Parte A isolada.
  • Formato: autorrelato. Pode ser respondida antes da consulta.
  • Contexto: triagem inicial (Parte A), avaliação diagnóstica ampliada (Partes A e B) e acompanhamento de sintomas ao longo do tratamento.

Como o período de referência é longo (seis meses), a ASRS captura padrões estáveis e é menos sensível a oscilações de uma semana. Na avaliação diagnóstica, é recomendável complementar com entrevista sobre início dos sintomas na infância e, quando possível, com relato de familiares.

Pontuação e interpretação

A lógica da Parte A é o coração do instrumento como triagem. Diferentemente de escalas somadas, cada item tem uma área sombreada de respostas que contam como positivas: para alguns itens, "algumas vezes" já pontua; para outros, apenas "frequentemente" ou "muito frequentemente". Essa ponderação vem da análise estatística dos autores sobre quais níveis de frequência realmente diferenciam os grupos.

  • Parte A com 4 ou mais itens na área sombreada: triagem positiva, indicando sintomas altamente consistentes com TDAH em adultos e justificando avaliação clínica completa.
  • Parte A com 0 a 3 itens: triagem negativa. Não exclui o diagnóstico, mas torna-o menos provável.

Para a Parte B, não há ponto de corte formal. Ela é lida qualitativamente: itens marcados como "frequentemente" ou "muito frequentemente" indicam sintomas relevantes e ajudam a caracterizar o perfil. Alguns serviços somam os itens de cada dimensão (0 a 4 por item, 0 a 36 por dimensão) para acompanhar a evolução, mas essa soma é um uso secundário, não previsto na versão original de triagem.

No estudo de validação, a Parte A apresentou sensibilidade em torno de 68% e especificidade próxima de 99%, ou seja, é um filtro conservador: erra pouco ao apontar positivos, mas deixa passar uma parcela dos casos.

Limitações e cuidados

O TDAH adulto é um diagnóstico clínico que exige história de sintomas desde a infância, prejuízo em mais de um contexto e exclusão de outras causas. A ASRS apoia esse raciocínio; ela não o substitui.

Cuidados importantes:

  • Ansiedade, depressão, privação de sono, uso de substâncias e transtorno bipolar produzem desatenção e inquietação que elevam o escore.
  • Autorrelato em TDAH é particularmente vulnerável à baixa percepção dos próprios sintomas; a colaboração de um parceiro ou familiar ajuda.
  • A escala foi construída sobre os critérios do DSM-IV; a correspondência com o DSM-5 é muito próxima, mas não idêntica.
  • A ASRS é de uso livre, mas a redação dos itens e a área sombreada da Parte A não devem ser modificadas.

No Okdocto

A ASRS-18 está disponível na biblioteca pública de modelos, na categoria Testes Clínicos, organizada em Parte A e Parte B, com as cinco opções de frequência, a contagem automática de itens da Parte A na área sombreada e a sinalização de triagem positiva. Os metadados do instrumento acompanham o modelo.

Ao instalar, os campos {{PACIENTE_NOME}}, {{PACIENTE_IDADE}} e {{DATA_ATUAL}} são preenchidos automaticamente com dados do atendido. As aplicações ficam no prontuário eletrônico e podem ser anexadas ao relatório de avaliação neuropsicológica ou psiquiátrica gerado no próprio sistema.

Veja o modelo em ASRS-18 na biblioteca de modelos ou conheça os demais instrumentos na biblioteca de documentos.


Muitos adultos passam décadas achando que são apenas desorganizados. Seis perguntas bem calibradas podem ser o primeiro passo para uma história diferente, desde que sejam seguidas de uma escuta cuidadosa.

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